domingo, 3 de maio de 2009

Dia Mundial do Livro e do Direito de Autor - 23 de Abril



Para celebrar este Dia dedicado ao Livro e ao Direito de Autor, foi organizada uma sessão de partilha de leituras, que contou com a participação das professoras Emília Neves e Lurdes Cardoso e do aluno Pedro Heitor (12º. 1).

Antes ainda de saber ler já a professora Emília Neves se deixara seduzir pelas histórias que lhe liam, destacando-se um título : Memórias de um Burro, da Condessa de Ségur. Seguiram-se as leituras de autores clássicos numa versão juvenil e, numa fase posterior, descobriu obras que apelavam a uma maior reflexão, nomeadamente, A Mãe (M. Gorki) e, da autoria de Eça de Queirós, em especial, O Mandarim.

Foi muito interessante conhecer as experiências de leitura dos alunos. Ouvimos o Pedro Heitor falar da obra de uma jovem autora Stephenie Meyer, em particular do livro Crepúsculo, que tem seduzido muitos jovens, quer pela temática, quer pelo estilo literário.
As intervenções dos alunos não foram tantas como gostaríamos mas, para além das opiniões a propósito da apresentação feita pelo Pedro, foram referidos outros títulos, como Anjos e Demónios de Dan Brown, Memórias de Idhún - A Hecatombe V, de Laura Gallego Garcia .

A professora Lurdes Cardoso destacou algumas obras que marcaram as diferentes fases da sua vida, a saber, a colecção Os Cinco, plena de aventura e curiosidade para a descoberta de novas realidades; O Grande Amor de Jane Eyre, símbolo da força e determinação da figura feminina num ambiente muitas vezes hostil; Pablo Neruda é uma referência da força da linguagem poética, muito marcante na sua juventude. Por último, deixou-nos com as palavras de um jovem escritor português, José Luís Peixoto, numa obra de características autobiográficas, Morreste-me .
A propósito da sessão, acrescentou a seguinte reflexão:

“ Eu e os livros nem sempre morámos na mesma casa. Mas sempre ouvi longas histórias, por vezes em verso, que contavam casos estranhos da vida ou ocorrências do dia-a-dia que, assim transmitidas, ganhavam a dimensão de narrativas que depois encontrei na escrita. Um pouco mais tarde, descobri bibliotecas, itinerantes e fixas (hoje também recordo o ritual da entrada, e do preenchimento da requisição), onde fui buscar, primeiro livros de aventuras, depois, histórias intensas com personagens de sentimentos e atitudes fortes, vivendo e ultrapassando conflitos, em mundos que me eram muitas vezes desconhecidos; depois, textos que tentaram fazer de mim uma cidadã mais consciente do meu papel na sociedade. Ainda mais tarde, houve livros em que encontrei expresso aquele sentimento de perda mais profunda que, em certos momentos da vida, achamos só cair sobre nós. Muitas das minhas leituras seguiram-se a conversas, indicações, sugestões de professores, amigos,…
Por isso, sempre associei a literatura ao gosto de partilhar, de sentir, de ver outras realidades ou de ver a realidade que nos cerca de maneiras diferentes das habituais.
Sei que hoje a literatura concorre com outras artes e meios de comunicação poderosos que nos fazem chegar e “sentir tudo de todas as maneiras”, como diria Fernando Pessoa.
Ainda assim, quaisquer que sejam as nossas experiências, será sempre muito bom comunicá-las.”
Lurdes Cardoso

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